Criada com o argumento de proteger a indústria nacional, a chamada “taxa das blusinhas” — o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 265) — pode estar perto do fim. Fontes ligadas ao governo federal afirmam que a equipe econômica já avalia revogar a cobrança após intensa pressão de parlamentares e críticas de especialistas, consumidores e pequenos empreendedores.
Desde sua implementação, a taxa passou a ser alvo de contestação por atingir diretamente brasileiros de menor renda, que recorriam a plataformas internacionais para comprar roupas, calçados, materiais escolares, acessórios e pequenos eletrônicos a preços mais acessíveis do que os encontrados no mercado interno.
O Congresso também reagiu. Nos últimos meses, deputados e senadores apresentaram diversos projetos para suspender ou derrubar a medida, alimentando um debate que opõe defensores do consumidor e representantes da indústria têxtil e calçadista brasileira.
Dados da Receita Federal indicam que as importações de baixo valor caíram cerca de 50% após o início da cobrança. O impacto, porém, não foi sentido pelas classes mais altas, que seguem adquirindo produtos no exterior por meio de viagens internacionais ou outros canais.
Outro grupo fortemente prejudicado foi o dos pequenos comerciantes e microempreendedores que compravam em plataformas internacionais para revender no Brasil. A nova taxação reduziu drasticamente as margens de lucro e inviabilizou negócios que garantiam renda complementar para milhares de famílias. Em diversos casos, a revenda simplesmente deixou de ser uma opção viável.
Pressão política aumenta
A crescente insatisfação popular reverberou no Congresso Nacional. Parlamentares têm defendido publicamente a revisão da taxa, alegando que a medida penaliza principalmente os mais pobres e não cumpre integralmente o objetivo de proteger a indústria nacional.
Com a pressão política em alta e novas agendas econômicas previstas para o governo, cresce a expectativa de que a “taxa das blusinhas” seja reavaliada — e possivelmente extinta — ao longo de 2026.





